Efeitos das misturas de herbicidas: sinérgico, antagônico ou aditivo

As plantas daninhas têm sido motivo de preocupação cada vez mais frequente entre os agricultores. A presença das invasoras pode causar redução na produtividade devido à competição por água, luz e nutrientes com a cultura.

Para que sejam controladas, o manejo com herbicidas é indicado. E com o intuito de conseguir controlar melhor, o produtor faz mistura de diferentes herbicidas.

Mas será que toda mistura é interessante para obter um bom controle de daninhas? Já te adianto que não. Podem ocorrer efeitos sinérgicos, antagônicos ou aditivos.

Entenda sobre isso neste artigo.

Mistura em tanque

No Brasil, a prática de mistura de produtos no tanque de pulverização é muito comum. Mais de 90% dos produtores rurais realizam a mistura em tanque em suas propriedades.

Os motivos pelos quais os produtos químicos são aplicados dessa forma são:

  • Redução de custos;
  • Redução de entradas na área de produção;
  • Menores chances de compactar o solo;
  • Redução do volume de água utilizado;
  • Menor acesso do trabalhador aos pesticidas;
  • Auxílio do manejo e prevenção de resistência dos organismos-alvo.

Além das razões citadas, um dos manejos mais importantes na lavoura é a dessecação de plantas daninhas. O glifosato ainda é o herbicida mais utilizado, entretanto existem muitos casos de tolerância e/ou resistência a esse produto. Por isso, há a necessidade de rotacionar herbicidas ou utilizá-lo junto com produtos com diferentes mecanismos de ação para conseguir um bom controle.

Outro problema que ocorre com bastante frequência é a presença de plantas daninhas de folhas largas e gramíneas ao mesmo tempo na área. Isso também faz com que seja necessário a aplicação de soluções combinadas com diferentes mecanismos de ação.

A buva, o capim-amargoso e o capim-pé-de-galinha são plantas daninhas que preocupam os agricultores e que estão avançando rapidamente por todas as principais regiões agrícolas do Brasil. A ocorrência simultânea dessas três plantas daninhas em soja, por exemplo – presentes em mais de 20 milhões de hectares – frequentemente leva à aplicação conjugada de graminicidas e auxínicos. Essa mistura, muitas vezes, tem um efeito antagônico, ou seja, negativo no controle das invasoras, como você verá mais à frente.

Com formulação exclusiva e patenteada, a ADAMA disponibiliza aos produtores o herbicida Araddo®, combinação altamente eficiente que controla tanto as gramíneas como as plantas daninhas de folha larga sem efeito antagônico.

Araddo® é uma solução completa para o manejo de ervas resistentes ao glifosato e com estabilidade de resultados em diferentes condições. Além disso, por se apresentar como uma mistura pronta, traz facilidade de aplicação e ganho de tempo para o produtor.

Compatibilidade dos produtos fitossanitários

Mesmo sendo uma prática bastante comum, é importante que o produtor entenda sobre a compatibilidade dos produtos fitossanitários.

As misturas de herbicidas podem apresentar algumas vantagens ao produtor quando comparadas com aplicações dos produtos de forma isolada. Entretanto, quando misturados, podem resultar em efeitos diferentes de quando aplicados isoladamente.

Esses efeitos podem ser sinérgicos, antagônicos ou aditivos.

Efeito sinérgico, antagônico ou aditivo

O ideal quando ocorre interação entre herbicidas com diferentes ingredientes ativos e formulações seria que houvesse uma potencialização sobre as espécies-alvo de plantas daninhas e uma seletividade à espécie cultivada.

Porém, isso nem sempre acontece e podem ocorrer efeitos contrários ao esperado.

Antagonismo

Algumas misturas resultam em interações antagônicas e, como o próprio nome diz, são aquelas em que não há eficiência completa das moléculas para controle das plantas daninhas.

Quando aplicados de forma isolada, os herbicidas vão ter o efeito esperado. Mas, quando são colocados juntamente no tanque, diminuem a eficácia. O efeito é, então, negativo.

Adição

Os herbicidas que não mudam suas eficácias quando misturados são aqueles que têm apenas um efeito aditivo. Isso quer dizer que, ao serem aplicados isoladamente ou misturados em tanque, vão causar os mesmos efeitos.

Nesse caso, também são compatíveis e as interações são positivas, permitindo a escolha do produtor em utilizar em tanque.

Sinergismo

Quando a mistura de dois ou mais herbicidas resulta em uma ação melhor do que quando os produtos são usados isoladamente, ocorre um efeito sinérgico.

Isso quer dizer que os princípios ativos e os ingredientes inertes contidos naquela mistura são compatíveis e ainda causam uma potencialização dos mecanismos de ação.

Como saber se os herbicidas são compatíveis?

Os herbicidas podem interagir entre si, seja de maneira física ou química, na solução de pulverização (no preparo da calda) e também biologicamente quando aplicados sobre as plantas daninhas (causando os efeitos citados anteriormente).

Compatibilidade físico-química

Os primeiros sinais de incompatibilidade que podem ser observados são aqueles físico-químicos durante a preparação da calda, por exemplo:

  • Dificuldade em dissolver os produtos misturados na calda;
  • Excesso de formação de espuma;
  • Formação de precipitados no tanque;
  • Separação de fases.

Os problemas práticos decorrentes dessas incompatibilidades são, principalmente, entupimento de bicos e filtros, e uma consequente perda de eficácia devido às dificuldades para pulverização.

Por isso, para saber se os produtos a serem misturados em tanque são compatíveis fisico-quimicamente a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) elaborou uma metodologia para avaliação prévia. Clique aqui para acessar.

Compatibilidade biológica

Já com relação à compatibilidade biológica dos compostos para suas ações nas plantas daninhas, deve haver um conhecimento prévio sobre as pesquisas e estudos feitos com os ingredientes ativos.

Existem estudos que indicam se as interações entre herbicidas causam efeitos sinérgicos ou antagônicos.

As interações antagônicas podem estar associadas a alterações na quantidade de um herbicida que atinge seu sítio de ação através de mudanças na adsorção, translocação ou metabolismo causadas pela presença de outro herbicida.

Como o glifosato é muito utilizado juntamente com outros herbicidas, deve-se entender quais são aqueles com alta probabilidade de serem incompatíveis biologicamente. Não somente o glifosato, mas diversos outros ingredientes ativos podem ter feito antagônico nas plantas. Veja na tabela abaixo:

Mas é possível também saber quais são as interações sinérgicas antes de escolher os ingredientes ativos. Veja abaixo:

Esses são exemplos de interações entre os herbicidas, mas é sempre importante que você tenha em mente que as misturas nem sempre serão benéficas e eficazes no controle das plantas daninhas.

Por isso, esteja atento(a) quanto a isso quando for fazer misturas de herbicidas na sua propriedade.

Quer reduzir a mistura em tanque em sua propriedade e saber mais sobre algumas das soluções completas da ADAMA para o Manejo de Plantas Daninhas? Conheça nosso portfólio.

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