manejo de percevejos

Como fazer o manejo de percevejos na sua lavoura?

Sabia que já foram identificadas mais de 300 espécies de insetos nas lavouras e nos grãos de soja armazenados? Felizmente, a maioria delas é considerada de valor secundário. O que de fato exige a atenção do produtor é o correto manejo de percevejos. Esses insetos, principalmente os pentatomídeos, trazem grandes prejuízos para a cultura de soja.

Dependendo do grau de infestação, os percevejos provocam perdas de quase 100% na produção, pois seu ataque é irreversível. Dificultam o desenvolvimento do grão, reduzem seus teores de proteína e causam até mesmo o abortamento de vagens.

Para mantermos o bom cenário da soja no Brasil, o produtor precisa fazer o controle adequado dessa praga, e é sobre isso que falaremos neste antigo. Continue a leitura para conhecer os principais percevejos dessa cultura, os danos que eles trazem e como garantir a proteção da lavoura.

Os percevejos e a lavoura de soja

Das 300 espécies de insetos que já foram identificadas como pragas da soja, temos cerca de 10 consideradas como as principais. Dentre elas, os percevejos se destacam por causa dos danos severos que provocam para essa cultura.

O aumento de populações de percevejos nas lavouras de soja pode ter diversas causas, entre elas: o aumento das áreas plantadas com a oleaginosa, a presença de plantas hospedeiras na entressafra e também a menor aplicação de inseticidas nas lavouras com tecnologia Bt. Isso porque esta prática pode disponibilizar mais recursos alimentares para outras espécies de insetos e, consequentemente, favorecer o aumento da população das pragas que antes eram consideradas secundárias, como no caso dos percevejos. 

A seguir você confere algumas espécies que merecem destaque em função da sua ocorrência nas lavouras de soja e das perdas que provoca.

Percevejo marrom (Euschistus heros)

Dentre as espécies de percevejo que atacam a soja, o marrom é um dos mais desafiadores. Ele é o mais presente nas regiões agrícolas do país e vive cerca de 116 dias. A fêmea põe de 5 a 8 ovos por massa, nas vagens ou nas folhas da soja.

Os danos provocados pelas ninfas começam a partir do terceiro ínstar. Nesse momento elas inserem os estiletes (aparelho bucal) e sugam os nutrientes das vagens, causando danos nos tecidos. Isso traz prejuízos para o grão afetando o seu rendimento e a qualidade sanitária e fisiológica da semente.

Não é possível reverter os danos provocados pelo percevejo marrom a partir de determinados níveis populacionais. Além disso, essa espécie pode desencadear doenças fúngicas na soja, como a mancha fermento (Nematospora coryli Peglion), prejudicando ainda mais a lavoura.

Percevejo barriga verde (Diceraeus furcatus e D. melacanthus)

São espécies que ocorrem em menor número, mas estão presentes tanto nas regiões quentes quanto frias do Brasil. A espécie D. melacanthus prefere temperaturas mais altas e a espécie D. furcatus prefere as mais baixas.

Sua ocorrência se dá no final do ciclo da soja e os insetos possuem crescimento populacional rápido e alto. Além disso, eles têm o hábito de se esconder próximo ao solo, embaixo da palhada e em plantas hospedeiras, por isso, muitas vezes acabam passando despercebido no monitoramento. Assim, é importante que esse monitoramento seja realizado pela manhã, devido ao hábito destes percevejos de se abrigarem durante o dia.

O percevejo barriga verde é considerado uma praga de sistema, ou seja, afeta cultivos antecessores e sucessores. Por isso, é considerado é uma praga-chave inicial especialmente na cultura do milho safrinha, que sucede a cultura da soja, mas também podem ocorrer em lavouras de sorgo, aveia e trigo cultivados em sucessão à soja.

Percevejo verde (Nezara viridula)

É mais adaptado às regiões frias do Brasil porque as temperaturas amenas favorecem a sua atividade durante o ano inteiro. Os insetos adultos podem sobreviver até 50 dias e cada fêmea deposita de 50 a 100 ovos na face inferior das folhas da planta.

As ninfas se alimentam das vagens e dos grãos da soja a partir do segundo ínstar de desenvolvimento. O período ninfal é composto por cinco ínstares, e cada um deles pode durar até 20 dias, o que explica os grandes prejuízos que ele pode trazer.

Percevejo verde pequeno (Piezodorus guildinii)

Esse percevejo tem uma distribuição bastante ampla, com ocorrência em todas as regiões do Brasil e nos países vizinhos. Traz prejuízos significativos para a qualidade das sementes e o desenvolvimento foliar das plantas.

Cada fêmea põe de 10 a 20 ovos posicionados nas folhas, ramos, caule ou mesmo nas vagens. A partir do segundo ínstar, as ninfas já começam a se alimentar das vagens e dos grãos. Essa espécie pode gerar três gerações na cultura da soja.

Há estudos que indicam que o percevejo verde pequeno é a espécie que causa mais danos à cultura da soja. Seu ataque pode causar retenção foliar anormal nas plantas e maiores danos na qualidade das sementes (maior severidade), devido a sua picada ser mais profunda e deixar uma lesão de tamanho maior nos grãos.

Os danos que os percevejos trazem

O manejo de percevejos na lavoura de soja é essencial porque, como explicamos, essa praga pode provocar grandes perdas na produção. Algumas espécies prejudicam o desenvolvimento das plantas em função da queda das folhas; outras atacam as vagens e os grãos. Em ambos os casos há uma redução drástica da produtividade e da qualidade.

Quando a soja é atacada pelo percevejo, além de uma redução do rendimento das vagens, os grãos não apresentam o crescimento esperado ficando menores do que o ideal. Também enrugam, murcham e assumem uma cor mais escura do que o normal.

Pode acontecer, ainda, um abortamento das vagens. Além disso, o inseto provoca uma redução da viabilidade e vigor das sementes. Outro prejuízo é com relação ao teor de proteína e de óleo dos grãos de soja, que sofrem alterações.

Até mesmo no momento da colheita da soja, a ocorrência dos percevejos pode causar prejuízos. Ela causa o retardamento da maturação, seja por retenção foliar ou haste verde. Sendo assim, é fundamental adotar cuidados adequados para proteger a lavoura e controlar as pragas no momento certo.

Cuidados e manejo da lavoura

Você viu que algumas espécies de percevejos trazem danos para a cultura de soja em todo o seu ciclo, enquanto outros ocorrem no final dele. O controle de percevejos marrons, por exemplo, é bastante desafiador em função de esse inseto sobreviver por meses, inclusive pelo fato de entrar em dormência, um estado parecido à hibernação.

Quando há uma redução da umidade e presença de plantas hospedeiras, o percevejo marrom se esconde sob a palha evitando parasitas e predadores. É por isso que ele tem uma boa capacidade de sobrevivência, o que resulta em sua abundância. Aqui percebemos a importância do cuidado também na fase de pré-plantio da soja.

A adoção de estratégias de Manejo Integrado de Pragas (MIP) ajuda a evitar o aumento da população de insetos-praga, garantindo o bom desenvolvimento da planta durante todo seu ciclo. Além disso, é importante evitar a presença de plantas hospedeiras, como guandu, carrapicho-de-carneiro, amendoim bravo e girassol, para evitar a permanência do inseto no campo.

Aplicação de inseticidas

Na cultura de soja a principal forma de fazer o manejo de percevejos é por meio da aplicação de defensivos agrícolas. O controle químico por meio de inseticidas com ação de choque e residual garante um período de controle maior, evitando aplicações excessivas de produto.

O monitoramento da lavoura é imprescindível para o controle adequado dos percevejos na lavoura. O início desse controle deve acontecer assim que for identificado um percevejo (adulto e/ou ninfa a partir de terceiro ínstar) em média por metro linear para lavouras de produção de sementes e dois percevejos (adultos e/ou ninfas a partir de terceiro ínstar) em média por metro linear para lavouras de produção de grãos.

Na hora de escolher o produto tenha o cuidado de optar por ativos que não causem o desequilíbrio da população de outras pragas, como os ácaros. Além disso, a recomendação é de que os inseticidas para percevejos tenham pelo menos dois modos de ação, como: contato (durante a pulverização da soja) e ingestão (sucção nos tecidos), além de um longo período de residual.

Como os percevejos costumam se abrigar abaixo do dossel das plantas e em partes mais difíceis de serem atingidas pelos inseticidas, é preciso uma tecnologia que seja capaz de alcançá-los (ninfas e adultos) nas partes mais escondidas, como é o caso do inseticida sistêmico. Esses inseticidas, quando aplicado sobre as folhas, são absorvidos rapidamente e translocam-se para todas as partes da planta (folhas, caule, ramos e vagens).

Tenha a certeza do melhor controle

Pensando nos vários problemas que os agricultores vêm enfrentando para manejar os percevejos e outros insetos nos últimos anos, a ADAMA desenvolveu o inseticida Galil®, com registro para várias culturas, dentre elas, soja, milho e trigo. Através dos seus dois diferentes mecanismos de ação, o produto apresenta excelente controle de choque e um residual, que proporciona maior período de controle. Galil® também possui em sua formulação o radical trifluoro que confere ação acaricida ao produto.

Realizando o manejo de percevejos no momento correto, e adotando um inseticida com formulação ajustada à realidade das tecnologias do Brasil, é possível fazer o controle dessa praga de forma eficiente. Assim, garantimos a boa produtividade na cultura de soja, a qualidade dos grãos e uma excelente relação custo-benefício para o produtor.Não são apenas os insetos que trazem desafios na produção de soja. As doenças também são uma preocupação. Confira este outro artigo que fala sobre a antracnose e o manejo dela!

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