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Bicudo de algodoeiro: saiba como lidar com essa praga!

A cultura de algodão tem um papel muito importante para a economia brasileira, mas o produtor que se dedica ao seu cultivo encontra diversos desafios. Entre eles estão o alto custo com a produção, problemas climáticos e a incidência de pragas e doenças.

Uma das pragas mais preocupantes é o bicudo-do-algodoeiro. Esse inseto foi identificado nas lavouras de algodão do Brasil pela primeira vez em 1983 e causa muita preocupação porque prejudica a produção das plantas, podendo levar à perda de 100% da safra. Daí a importância de conhecer o seu ciclo e as melhores práticas de manejo de resistência no algodoeiro.

Neste artigo, apresentaremos os prejuízos que o bicudo traz para a lavoura de algodão, seu ciclo de vida e como o produtor deve agir para fazer o manejo dessa praga de uma forma eficiente, evitando prejuízos em sua propriedade. Continue lendo e saiba mais!

Como surgiu o bicudo-do-algodoeiro no Brasil?

O bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) não é uma praga originária do Brasil. Como explicamos na introdução, o primeiro foco desse inseto foi identificado nas lavouras brasileiras em 1983, na região de Campinas, São Paulo. Seu comunicado oficial foi feito pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP (Universidade de São Paulo) de Piracicaba.

Ainda não se sabe ao certo como o bicudo-do-algodoeiro chegou ao território nacional. No entanto, sua incidência se dá, também, em países como Haiti, Venezuela, República Dominicana, no nordeste do México e dos Estados Unidos.

Entre as hipóteses, a mais aceita é de que ele tenha chegado partindo do sudeste americano. Isso porque os primeiros focos do bicudo se manifestaram nos arredores do aeroporto Viracopos, em Campinas.

Por meio de comprovação do DNA mitocondrial foi possível identificar a sua similaridade com a praga proveniente dos Estados Unidos. Assim, ele pode ter sido trazido para cá por avião. Hoje, é a principal praga que atinge as plantações de algodão em todas as Américas.

Impactos e prejuízos

O manejo do bicudo-do-algodoeiro traz impactos significativos para os custos de produção, pois o tratamento dessa praga custa entre 100 e 150 dólares por hectare. Além disso, o trato precisa ser adequado e eficaz, uma vez que se o manejo não é feito corretamente existe a possibilidade de 100% de perda na produção.

Isso se dá devido à alta capacidade que o bicudo-do-algodoeiro tem de se reproduzir e destruir as plantas. Na verdade, elas se mantêm com um aspecto vegetativo saudável, mas não produzem, porque o bicudo ataca os botões florais, as flores e as maçãs que, depois de alguns dias, caem da planta.

Quando ocorre uma alta densidade de insetos, ou na ausência de botões florais e flores, o bicudo-do-algodoeiro ataca as maçãs. Assim, a produção é reduzida, há um comprometimento da qualidade do produto ou, como dito, a perda de toda a safra.

Qual é o ciclo de vida desse inseto?

O bicudo-do-algodoeiro é uma praga com reprodução exclusiva na planta de algodão. A fêmea põe apenas um ovo por orifício, feito nos botões florais, flores ou maçãs da planta, ou seja, em suas estruturas reprodutivas. Em seguida, ela fecha esse orifício com uma secreção gelatinosa.

Por dia, cada fêmea pode colocar até 6 ovos, mas o seu ciclo totaliza cerca de 100 a 300 ovos, cujo período de incubação é rápido, de 2 a 4 dias. Depois, podemos notar a presença das lagartas no algodão. Seu comprimento é de 5 a 10mm, com coloração branca e cabeça marrom clara.

Durante um período de 7 a 12 dias essas lagartas se alimentam das estruturas internas do botão floral. Seu ciclo continua com a incubação em câmaras que elas constroem nas estruturas que atacaram. Cerca de uma semana depois o botão se solta da planta e ela não consegue produzir.

A incubação das pupas do bicudo-do-algodoeiro é de 3 a 5 dias para se transformarem em besouros de coloração castanha ou cinza e rosto alongado. São insetos que atingem até 7mm de comprimento e vivem de 20 a 40 dias.

Apesar de ter uma alta capacidade de reprodução, o bicudo-do-algodoeiro encontra algumas dificuldades em seu ciclo reprodutivo devido a fatores externos, como temperaturas muito altas, escassez de alimento e baixa umidade.

Uma característica do bicudo é que esse inseto, como outras espécies, memoriza o seu lugar de origem. Sendo assim, depois de adulto, ele pode retornar para lá e iniciar o seu ciclo reprodutivo, dando origem às próximas gerações. Por isso, é fundamental fazer o correto manejo e controle populacional.

Como fazer o manejo do bicudo-do-algodoeiro?

A primeira medida para controlar o bicudo-do-algodoeiro é quantificar a população do inseto nas lavouras. Isso é feito por meio da captura de adultos com armadilhas contendo feromônio (glandure) sintetizado industrialmente.

Essas armadilhas devem ser instaladas 50 dias antes do início da semeadura, seguindo por 9 semanas e com intervalos de 200 m entre elas. Essa medida ajuda a determinar o índice BAS (bicudos/armadilha/semana).

O BAS é uma referência para tomar as melhores decisões no controle do inseto. Esse índice indica o número de aplicações de defensivo e a abordagem é realizada da seguinte forma:

  • mais de dois BAS: três aplicações;
  • entre um e dois BAS: duas aplicações;
  • de zero a um BAS: uma aplicação;
  • zero BAS: nenhuma aplicação.

Essas informações também possibilitam a elaboração de um histórico da área, fundamental para as decisões futuras, quando na necessidade de fazer o manejo em outras safras. Veja, a seguir, quais são as iniciativas que permitem o controle populacional do bicudo-do-algodoeiro.

Semeadura concentrada

Nessa técnica é feita a aplicação de inseticidas em bordaduras de 30m, tratando as regiões em um período de 30 a 40 dias, partindo da segunda folha expandida. O manejo deve seguir até a fase da primeira maçã firme, mantendo intervalos de aplicação de 5 a 7 dias.

Aplicação de inseticidas

É realizada assim que surgem os primeiros botões florais, mantendo o intervalo de 5 a 7 dias. Fazemos três ou mais aplicações quando é identificada a abertura do primeiro capulho. Formulações UBV (Ultra Baixo Volume) e BVO (Baixo Volume Oleoso) apresentam maior eficácia no controle do bicudo-do-algodoeiro.

Monitoramento e destruição de soqueiras

Também deve ser realizado o monitoramento constante da lavoura com vistoria de 250 botões florais/talhão. Deve ser adotado o nível de controle de até 5% de botões florais que tenham sido atacados pelo inseto. É válido ressaltar que também deve ser feita a destruição das soqueiras assim que finalizada a colheita.

Com o manejo correto, é possível controlar a população de bicudo-do-algodoeiro, mas é importante conhecer a lavoura, suas particularidades e desafios para adotar as melhores técnicas. Tenha atenção com os produtos utilizados, que devem ter uma ação eficaz, mantendo a proteção, produtividade e a praticidade no dia a dia, evitando prejuízos.

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